André Komatsu, Berna Reale e Antonio Manuel foram os três artistas selecionados pelo curador Luiz Camillo Osorio e pelo curador assistente Cauê Alves para representar o País no Pavilhão do Brasil desta 56a Bienal de Veneza. Comissariado pelo atual Presidente da Bienal de São Paulo, Luis Terepins, com coordenação de Emilio Kalil, o espaço respondeu bem à desafiadora convocatória do curador Okwui Enwezor, cujo objetivo era mostrar as diferentes realidades contemporâneas, assim como repetições do passado, para operar reflexões para o futuro.

Em uma mostra política, com o título É Tanta Coisa Que Não Cabe Aqui, os três artistas construíram um lugar de aprisionamento como crítica a uma falsa liberdade em que transita o indivíduo contemporâneo. É como se o trio dissesse, num excelente diálogo arquitetado pela curadoria, que para sermos livres precisamos estar trancafiados em um espaço cirurgicamente limpo, ficticiamente completo, montado pela nossa imaginação, na estética do “condomínio”, numa alusão aos conceitos usados pelo psicanalista e professor livre-docente da USP Christian Dunker, em seu recém-lançado livro Mal-estar, Sofrimento e Sintoma – uma Psicopatologia do Brasil entre Muros.

Não basta criarmos uma salvaguarda ideológica, social e política para esse confinamento, é necessário aprisionar o outro na discriminação, na pobreza, na violência física, social e cultural. Só assim garantimos nossa própria e mesquinha sobrevivência. Um paraíso de felicidade eterna, sem conflito, límpido. Numa prisão invisível. E o inferno são os outros.
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