O cientista político André Singer está convencido de que o refluxo nas manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff registrado no domingo (13) indicam a abertura de uma janela de oportunidades para a construção de uma frente em sentido oposto. “Hoje o impeachment só está mobilizando os setores propriamente de direita no Brasil”, afirma Singer.
Para o cientista político, ao não aderir em massa às manifestações, o centro social do País mandou três recados. Em primeiro lugar, não acredita que o impeachment seja a melhor solução para a atual crise. Em segundo, desconfia do processo comandado pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha. Finalmente, o centro social não confia em um possível governo Michel Temer como saída para os problemas do País.
Antigo porta-voz do governo Lula e integrante dos quadros do PT, Singer participa de uma iniciativa que pode ser o primeiro passo para a criação de uma frente contra o impeachment. Trata-se do abaixo-assinado Impeachment, Legalidade e Democracia, lançado por professores universitários na semana passada, com 480 assinaturas. “No manifesto, externamos as nossas preocupações em relação à condução desse processo de impeachment, à absoluta necessidade de se manter os limites da legalidade e de mobilizar a sociedade no sentido da preservação da democracia”, afirma Singer.
Hoje já com 6 mil assinaturas, o manifesto será apresentado em ato público marcado para as 11 horas da quarta-feira (16), no tradicional Largo São Francisco, no centro de São Paulo. Além de Singer, já confirmaram presença no ato os professores Alfredo Bosi, Dalmo Dallari, Ermínia Maricato, Leda Paulani, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Luiz Gonzaga Belluzzo, Marcos Nobre, Maria Victoria Benevides, Miguel Nicolelis, Paulo Arantes e Roberto Schwarz.
Leia aqui Impeachment, Legalidade e Democracia, o manifesto dos professores
Deixe um comentário