Nada como viver em uma democracia. Nos 30 anos do fim da ditadura militar, milhares de pessoas protestaram pelas ruas de todo o Brasil. A maioria vestiu as cores da bandeira nacional para reclamar da corrupção e do governo Dilma Rousseff. Faz parte do jogo. Criticar foi o menor dos direitos conquistados em 15 de março de 1985, quando o general João Figueiredo deixou o Palácio do Planalto por uma porta lateral.
Era o fim de mais de duas décadas de uma ditadura militar que deixou como legado pelo menos 426 mortos e desaparecidos políticos. “Vim para promover mudanças corajosas”, tinha garantido dois meses antes Tancredo Neves, quando que se elegeu presidente, de forma indireta, no Colégio Eleitoral.
Tancredo não conseguiu cumprir a promessa. Na véspera da posse, ele foi submetido a uma cirurgia de emergência no Hospital de Base de Brasília, por causa de dores abdominais que sentia havia tempos. Demorou a cuidar do problema justamente para não colocar em risco a transição para a democracia.
Oposição à ditadura, Tancredo tinha conseguido articular com parlamentares do regime e com parte dos próprios militares. Já o vice, José Sarney, havia passado duas décadas em harmonia com a ditadura e mudado de posição nos estertores do regime. Resultado: o general João Figueiredo o considerava um traidor e se recusava a passar a faixa presidencial para ele.
Esses são apenas detalhes da reta final do processo que culminou com a redemocratização – o mesmo que permitiu a milhares de brasileiros sair às ruas nos 30 anos do fim da ditadura. Daí, nada mais natural do que reclamar, protestar, exigir mudanças. Só não dá para pedir o impeachment de Dilma Rousseff sem nenhuma prova de envolvimento dela com corrupção. Muito menos intervenção militar. Qualquer ato nesse sentido remeteria aos desvarios dos mais de 20 anos de ditadura.
*Luiza Villaméa é repórter especial
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