
A vontade de se tornar médico
O cirurgião-geral Aziz Miguel Filho sempre quis ser médico. Primeiro a fazer curso universitário na família, precisou trabalhar enquanto se preparava para o vestibular. Sofreu, tentou várias vezes e conseguiu o diploma de Medicina. Formado, manteve árdua rotina por uns cinco anos. Dava plantão no Hospital Municipal do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, e em seguida viajava para atender na Barra do Ribeira, no município paulista de Iguape. Por divergência com o Departamento Municipal de Saúde, foi demitido. Como não quis abandonar seus pacientes, passou a pagar para trabalhar. Ao longo de dois anos, arcou com despesas de combustível e farmácia e, por vezes, fez de seu carro uma ambulância. Gastava com seu trabalho voluntário em torno de R$ 2 mil por mês. Isso durou até 2009. Seu filho e um tio tiveram câncer, e doutor Aziz, como é conhecido, teve de ficar em São Paulo definitivamente. Mas o espírito justiceiro ainda se mantém. Há um mês, recebeu ordem de prisão dentro do hospital. Chefe do Pronto-Socorro do Hospital do Tatuapé, ele atendia a um jovem de 16 anos, baleado, que chegou acompanhado pela polícia e pela mãe. Os policiais queriam impedir a mãe de ficar junto ao filho. Aziz interveio, dizendo que pouco sabia de legislação, mas que conhecia muito bem o Estatuto da Criança e do Adolescente: “O menor tem o direito de estar acompanhado pela mãe, seja infrator ou não, branco ou negro, homossexual ou heterossexual. E a mãe ficará aqui”. Aziz então foi levado à delegacia. “Eu era o único cirurgião no pronto-socorro e tive de sair para ir à delegacia. Chegando lá, prestei um esclarecimento e fui liberado.”

Solidariedade com atitude
Quem curte rock, deve conhecer Alan Feres pela faceta de baterista do trio Rock Rocket. Quem, em São Paulo, curte discos de vinil deve também conhecer a Fatiado Discos, loja sediada em Perdizes, na zona oeste da cidade, aberta há cinco anos por ele e o amigo Mário Cappi. Na Fatiado, eles também servem cervejas e lanches especiais, fatiados (como o nome sugere) e realizam pocket shows de novos artistas. Desde setembro, organizam, às terças-feiras, evento gastronômico beneficente intitulado Jantar dos Refugiados, com receita revertida para uma instituição que acolhe famílias de refugiados sírios e palestinos. Um público rotativo de 200 a 300 pessoas tem aderido à causa.
Outras campanhas, para auxiliar comunidades vitimadas por incêndios, como as favelas do Moinho e de Heliópolis, já foram realizadas pela Fatiado. As doações são entregues em uma simpática Kombi, chamada Tereza, dos amigos Pita Uchôa e Caroline Malinowski, da festa itinerante Calefação Tropicaos, que, às quintas-feiras, é realizada na loja.
Alan considera que atitudes como as dele e dos amigos vêm de princípios éticos aprendidos na mais tenra idade, como os ensinamentos que teve ao ingressar no movimento punk. “Desde moleque, aprendi sobre desigualdade e a ter pensamento crítico sobre as coisas. Deixava de fazer lições de casa para ir a um curso sobre Pedagogia Libertária no Ical (Instituto de Cultura e Ação Libertária). Com ações como essas a gente também deixa nosso posicionamento bem claro e não aparecem reacionários por aqui. Nos dias de manifestações contra a corrupção, como as da avenida Paulista, a gente coloca uma placa bem grande na porta: ‘Hoje, proibida a entrada com camisetas da CBF’.”
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