
Preta Gil é a cara do Brasil. A rima é fácil, mas natural, quase obrigatória. Filha de Gilberto Gil, baiano genético, nasceu no Rio de Janeiro, num dia 8 de agosto, leonina, com quase todos os planetas em leão. Ela mistura isso tudo de uma forma maravilhosa, que só vendo, ou, melhor dizendo, só ouvindo. Ela estava com 38 de febre, mas veio a São Paulo fazer seu show Noite Preta. Disse que demorou sete horas para chegar, quase o mesmo tempo que os paulistanos demoraram para voltar do trabalho. Valeu a pena. Seu show foi um arraso, daqueles que começam quentes e vão esquentando, esquentando, até que todos saem pulando – a concentração de gente bonita dava água na boca. Ela é absolutamente carioca, e seu repertório, que deve estar no CD, que vergonhosamente confesso não ter, também é. Vai de Frenéticas a Tim Maia, com outras músicas dela mesma. Ela canta Bonita e gostosa com propriedade, sabendo que o é, balança seu decote morro-dois-irmãos, levanta o vestido curto, o povo delira! Teve a misericórdia de corrigir Tim Maia, registrando (benza Deus!), que “Só pode dançar homem com homem, e mulher com mulher – e os héteros são bem-vindos”. Tim deu a bênção, onde quer que esteja. Preta arrasou, o show Noite Preta é imperdível. Quando terminou, achei que eu estava com 38 de febre, mas não estava, era só o “efeito Preta”. Depois passou, infelizmente. Ela canta amanhã em Araraquara, muito menos de sete horas daqui, e domingo na The Week do Rio. Perder é sacrilégio.
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