
O pedido de prisão de parte da cúpula do PMDB – o ex-presidente José Sarney (AP), o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador e presidente da legenda, Romero Jucá (RR) – se deveu à intenção dos três de combinarem suas defesas para despistar os investigadores da Operação Lava Jato.
Este foi o argumento utilizado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para justificar as prisões dos três, ocasião em que pediu o mesmo ao presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), informa o jornal Folha de S.Paulo.
Além de costurarem uma defesa que pudesse impedir a delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, haveria indícios de que o trio produziria documentos falsos para maquiar os desvios denunciados por Machado segundo os quais Renan, Sarney e Jucá teriam dividido R$ 70 milhões em propina desviada da Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável por transportar o combustível produzido pela estatal.
Ainda de acordo com a defesa, o pedido de prisão foi uma necessidade diante da expectativa de que o simples afastamento de Renan e Jucá seria insuficiente para impedir tais acordos.
Outro Lado
Questionado pela reportagem sobre as justificativas de Janot, Renan informou que a “a chance de ter acontecido isso é zero”. Já a defesa de Sarney e Jucá, feita pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, classificou a versão da procuradoria de “fantasiosa”. Sarney, por exemplo, não era investigado na Lava Jato e não teria razão para se preocupar com o assunto, enquanto Jucá só discutiria, nas conversas telefônicas gravadas, mudanças na lei.
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